sábado, outubro 24, 2009

Mulherzinha contemporânea

"Ah, o domingo é mesmo dos amantes... A sexta, dos solteiros." Em conversa internética, cada vez mais frequente em tempos quase-novembrescos, por um espécime de MC

Mulherzinha contemporânea _para compensar os dias sem postar

Antiquada, a MC faz a parte dela pela língua portuguesa e pelo dialeto da, salve-salve, pátria carioca. Pra ela, esse bem que podia ser o verão do #namorinhocarioca, do #domingodelicia, do #domingodeluxuria. E de dezembro a março, por favor.



Última palavra da tendência na moda fashion

O fim de ano se aproxima, e os habitantes de ipanema _ ou frequentadores das areias_ sabem que vai ter uma nova última moda, que o colunitsa sem graça vai dizer "esse foi o verão do..." etc etc etc. Eles até esperam um pouco por isso.

Confesso. Mais que de um helicóptero cair na minha cabeça, tenho medo de que esse, afinal, seja o verão do carioca summer com bolsa bag.

Vai combinar com as tortas de pecan pie _um pouco ruins, porque têm mais massa que recheio, até no nome_ que andam vendendo por aí, com as caixas box, muito mais caras, já que são caixas com garantia dupla ou com os espaços lounge, onde o pessoal pode relaxar, com espaço em dobro _deve ser pra obesos, né?

Deve ser um programa de governo para ensinar inglês instrumental à população até 2014. Para não pegar mal entre os vizinhos latinos radicais, os nossos substantivos ganham falsos-adjetivos: substantivos em inglês que tenham o exato significado das palavras que complementam. Se der certo, teremos uma população bilíngue e de tradutores simultâneos da própria fala (acho que o sindicato vai tentar segurar, mas não tem jeito. Se o Lula quiser, ele consegue).

Eu, que aprendi outras línguas à antiga e não tenho nem talento nem fluência para a tradução simultânea, sinto falta de quando os verões eram da tanga, do apito, da lata. Deve mesmo é ser inveja das futuras gerações, que serão alfabetizadas em inglês. Deve ser.



Mais mulherzinha

A MC soube pelo twitter que as amiguinhas paulistanas estão descobrindo o Yogoberry. SO LAST SUMMER, diria nossa querida MC, que fala em inglês e só.

É a última, rapazes

MC tinha decidido o biquini novo. Queria de bolinhas, mas a loja só vendia bolinha poá, aí ela achou que era bolinha demais pra um biquini só e vai comprar liso mesmo.
Dia do ídolo 2: ele te reconhece num café no Leblon.

terça-feira, outubro 20, 2009

Mulherzinha Contemporânea

A MC não aguentou o espírito consumista e comprou o Kindle mundial. Não dava pra ficar fora dessa, os fretes da amazon encarecem muito os livros.

O dia do ídolo

Fora Barbara Babi Heliodora, ídolos não são muito minha praia. Mas confesso que, redatora na grande imprensa, fiz uma materica que virou um alto de página espremido, mas que ele, o biógrafo dos grandes, ele que tinha uma coluna que me aproximava tanto de casa, ele leu. E repercutiu, e fez o dono do veículo da grande imprensa ler.

Pra variar, naquela semana que não queria mais lembrar que existiu, estava atrasada. Era o dia dele. Estava louca pra vê-lo falar. Nunca tinha visto. Mexia e remexia no que ele escrevia, mas nunca dissera um oizinho sequer.

Porque, para ele, São Paulo é uma merda.

Não levou os livros para autografar. Queria, mas não devia. Nem a coluna, nem, nem.

Suspiro, ai, que bom, nem tão atrasada. Ah, sim, dessa vez estava na Gávea e ele devia estar recebendo pra falar. Chance quase zero de ele desistir.

Ele sobe no palco, começa a falar.

Não contém as risadas, por tudo e por nada. Baixinho, discreta, olha o profissionalismo. Ainda duas falas e os olhos são dele. No caderninho, como ele reage, como ele se comporta, o que ele observa, em que momentos ele anota (ele anota!). Agradece a existência do gravador.

Que maravilha é a desculpa do "só mais uma coisa, que não ficou muito clara".

Delisgado o gravador, agradecimentos devidos feitos. Não aguentou, disse quem era, ajudou a falar mal de São Paulo, conversou uns minutos, fez da historieta ainda mais interessante e cheia de detalhes, tomou café e voltou ao trabalho.

O gravador, de novo, que bom que ele existe.

Ele tava ali do lado, olhando, de rabo de olho, as anotações.

segunda-feira, outubro 19, 2009

Mulherzinha contemporânea 2009

A MC baixou uma receita no smartphone, que não é iphone, porque o teclado touch é péssimo, e vai fazer um almoço delicioso. Por que ela quer.

para os que não entendem alemão: Foi lançada, daqueles lados, um revista de gastronomia voltada para o público masculino. O argumento: as mulheres cozinham porque precisam, os homens porque querem. AFE.

Twitter não é blog que não é livro

tarô, São Paulo, bicicleta, morte, volta, admissão, leito, banda larga móvel, livros, flaneur enclausurado, França, Alemanha, Bruxelas, lealdade, adiamentos, certidões, inventários, teraband cinza, Paraty, sequestro, São Paulo, arrependimentos, Belém, mestrados, o silêncio, Rio, pânico, fuga, perfume, #namorinhocarioca, Japão, momentos-delícia, @observatoriodacreuza, demissão, reportagens, fim, São Paulo, leviandade, domingo de luxúria (crédito ana hupe), planos, des-planos (pode inventar?), São Paulo, balé, ovos pochê, queijo, delegacia, papeis soltos, pão, expresso, Antuérpia, aviões, vinho branco, bicicleta, balé, jornais, astrologia, Grécia, São Paulo

2009 não vai passar em 140 caracteres. Mas não estaria no blog. É injusto com o alhures não passar por ele em 2009. Seria o título uma epopeia, no novo acordo, editada em papel bíblia, vendida a preços altíssimos. Jamais adaptável para o cinema, não ia dar tempo, o teatro precisaria do Zé Celso, em suas montagens intermináveis. Um quadro de Picasso daria conta. Um pavilhão da Sophie Calle também, mas esse ano não em Veneza.

aos imaginários: não sei se voltei, as ficções ainda não vêm pra cá.

sábado, maio 17, 2008

Mulherzinha Contemporânea – Algum possível leitor lembra a contagem?

A MC resolveu: metade da caixinha do casamento (que coisa mais antiga!) vai pra investimentos na bolsa. A outra metade para fundos de renda fixa, mais seguros. Vai que aparece o sapo-príncipe?

Direto do front

Noite silenciosa e quase ninguém na sala. Só o que se ouvia era o barulho dos teclados, tico-ticos incessantes, que não se transformariam em nada interessante.

Balança. Pára. Balança de novo.

- Gente, que isso, terremoto?

- “Magina”, deve ser a tal capoeira, esse prédio é tão velho, que eu não duvido que trema com uma roda mais animada.

Mais tico-tico, balança de novo. O site mostra uma tarja preta: era terremoto.

Foi sentido no quinto andar, não é normal. Terremoto no Brasil não é normal, capoeira é.

Poucos dias depois, ciclone em outro estado.

Não deu outra: o risco Brasil diminuiu, o homem mais rico do mundo declara ser um erro não pensar no Brasil quando se trata de investimentos.

Ninguém me tira isso da cabeça: para ser uma economia forte, estável, com fundo soberano (cof, cof, cof, cof) e políticas industriais milagreiras [falta de ar], é preciso se submeter às catástrofes naturais. Sem terremotos, ciclones, tufões, tsunamis, nevascas [precisamos arrumar um vulcão, rápido], jamais chegaremos ao patamar econômico e social com que tanto sonhamos.

O Lula devia ficar conhecido como o presidente que trouxe o terremoto ao Brasil.

Mulherzinha Contemporânea não-sei-mais-que-número

A MC é cidadã do mundo, isto é, pode morar em qualquer lugar. Desde que tenha água quente, travesseiros de pena de ganso, internet, celular, uma boa farmácia com boa variedade de cosméticos e um bom cabeleireiro. Sem isso é demais.

***

Sair da cidade e continuar perto dela cria uma relação bipolar com as origens.

Uma hora acha-se estar no caminho certo, que a vida precisa sempre tomar novos rumos. Na outra, catapum!, bate a sensação “o que eu estou fazendo aqui?”.

O Rio de Janeiro, por exemplo, que cidade sedutora, cheia de curvas, sorrisos, sol que esquenta e gente de fala mansa. Criancinhas correndo e aprendendo a andar de bicicleta no parque dos patins aguçam o mais parco dos instintos maternais, a Lapa engarrafada enche os corações solteiros de esperanças, o baixo Leblon aberto por toda a madrugada faz qualquer um se sentir dono da cidade.

Daí que a pessoa sai do Rio. E vai ao cinema sem encontrar uma alma conhecida, toma um café sem precisar abaixar a cabeça para não ter que falar com “aquele” mala, não consegue escolher que peça de teatro ver de tantas opções, e sente frio na barriga de olhar um mapa e não fazer idéia do que a espera do outro lado do aeroporto central.

De repente, catapum de novo, promoção de companhia aérea. Compulsão por compra de passagens e o avião chega e te coloca de cara com o pão de açúcar. E sim, o pão de açúcar entrava no seu campus universitário. Literalmente. Lágrimas nos olhos, amigos que podem sorrir e gargalhar, porque ser feliz não é vergonha nem sinônimo de que se está trabalhando pouco.

Mais de três dias e chega. Porque o Rio de Janeiro tem que ser a melhor cidade do mundo e querer sair dele é quase uma heresia. Difícil é estar numa cidade em que os pensamentos sobre ela são mais do que amorfos, em que se julga qualquer tipo de atitude que os desvie e que, ironia ou não, em plena era da globalização, não achar que se vai morar em um mesmo lugar pra sempre é crime inafiançável contra a pátria – a carioca, claro.

-Ahn? Você morava no Arpoador? E você saiu de lá por que mesmo, hein?

Mas aí faz sol e o tempo não esquenta. E o caminho exato pra qualquer lugar é uma decisão um pouco arriscada. E acordar vendo o mar faz falta.

quarta-feira, abril 02, 2008

Sampa

A um quarteirão da Ipiranga com a São João, tem uma academia de ginástica em reforma. Chama-se Buttsellers.

Acho que não é bem no coração que alguma coisa acontece.

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Mulherzinha contemporânea XIII

A MC está se guardando para quando o carnaval chegar. Está doidinha para o grande momento: Vou beijar-te agora/ Não me leve a mal/ hoje é carnaval


quarta-feira, dezembro 26, 2007

Mulherzinha contemporânea XII
(uma para cada mês do ano)

A MC detesta correntes, maldições, superstições. Mas virada do ano é coisa séria: roupa branca, calcinha cor da pele com fitinha cor de rosa, sapato amarelo. E não pode ver uma possibilidade de má sorte, que quer logo espantar. Estou com ela e não abro.


Maldição dos blogues


A Clara passou a maldição. Lá vai:

"Um grupo de indígenas surgiu da cidade baixa em direção ao mercado, carregando enormes blocos de sal amarrados nas costas"
Só para fumantes, de Julio Ramón Ribeiro.

As regras:
1 - procurar um livro próximo;
2 - abri-lo na página 161;
3 - procurar a quinta frase completa;
4 - postá-la no seu blog;
5 - não escolher a melhor frase nem o melhor livro;
6 - repassar a outros cinco blogs.


Os amaldiçoados: Ana Hupe, Ciça (que não sei se lê), Mion (para inaugurar o rua do ouro), Selkie, Bernardo MF (só porque me obrigou a dar o endereço).

A frase:
O primeiro livro (Cenas Londrinas, Virginia Woolf) não chegava à pagina 161. O segundo também não chegava à tal 161 (A Arte do teatro: entre tradição e vanguarda. Meyerhold e a cena contemporânea), o terceiro mais próximo era a versão em espanhol do Ressurreição do Tolstói, achei que não valia. O quarto, um infanto-juvenil em outra língua nórdica, também não valia, o quinto, ia parecer que era só para me fazer de cool, até que cheguei a esse, na ponta da estante, porque tinha pegado ontem para uma referência de formatação.

Conclusões: Leio livros muito curtos e preciso parar de amontoar livros que não estou lendo na minha escrivaninha.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Arte para crianças
Escrever é que nem segurar água com peneira.
Quem disse foi o Manoel de Barros

Mulherzinha Contemporânea XI

Mergulhada em Literatura, Graciliano Ramos e autobiografia, a MC esquece teorias, Infância, Cárcere e Caetés e se deixa encantar pelas cartas que ele escrevia para Heloisa Medeiros – que mais tarde viria a ser Heloisa Ramos, ou Ló. Cartas de amor: nada mais denunciador de estilo, nada mais autobiográfico, nada mais Mulherzinha! “Romantismo, minha querida Heloísa, romantismo, e ruim”. A MC morreu de inveja: quer romantismo ruim pra ela.

quarta-feira, novembro 28, 2007

Mulherzinha Contemporânea X

A MC escolheu a primeira resolução da lista de resoluções do ano novo, que ainda vai mudar umas cinqüenta vezes – no fundo, ela sabe disso. Vai namorar um poeta.

Elas, as palavras

Ele quase não sorri, mas tem as piadas ruins de quem ri por pouco, de quem ri e ninguém em volta entende o porquê, mas acaba se contagiando pela gargalhada. Ele não é muito afeito ao contato físico, mas tem as palavras de quem abraça apertado quando encontra, de quem coloca no colo e faz cafuné, de quem rouba beijo, de quem, na mesa de bar, sem olhar nos olhos, enquanto ninguém percebe nada, encosta na mão e não solta, dizendo tudo. Ele diz o que os gestos não precisam dizer, mas ele diz.

quinta-feira, novembro 15, 2007

Mulherzinha Contemporânea IX

É novembro e a MC fez uma planilha de afazeres, devidamente salva em seu Palmtop, que em breve será trocado por um blackberry. Por causa da loucura, só vai à manicure duas vezes, cabeleireiro só em dezembro, a corrida diminuiu de três para duas vezes na semana, de 50 para 30 minutos. Mas não abre mão do pilates - tudo tem limite.


Fevereiro já!

Novembro é muito mais que um mês. É um estado, uma forma única e inigualável de perceber o mundo e a vida. De repente, olha-se o calendário para, ingenuamente, tentar marcar aquele almocinho, com aquele camarada a quem já se deve um encontro pra colocar o papo em dia há muito tempo.

Num susto novembresco, você repara que a sua lista de afazeres nos próximos 30 dias preencheria facilmente dois anos se pudesse ser cumprida em tempo ideal. O problema é que depois do dia 30, benzinho, só em fevereiro. Colocar papo em dia é coisa de julho, agosto, nos dias mais curtos do ano, calma é palavra proibida, número 1 do Index.

O maior desafio da ordem mundial e da compensação universal não é erradicar a miséria do mundo – isso todo mundo já previu. Quero ver alguém acreditar que um dia, em novembro, será possível ir à pé, porque não há pressa.

Até lá, encontros marcados ou casuais em novembro, que não tenham sido agendados com 45 dias de antecedência e não tenham hora definida de início e fim, ficam no limbo do “vamos marcar!”. E a resposta para o corriqueiro “Como vai?” será “Novembro. E você? Março?”

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Mais sobre novembro nos arquivos aqui do AN.

quarta-feira, novembro 14, 2007

Mulherzinha contemporânea VIII

No day-after, a MC gosta de receber mensagens de texto perspicazes no celular – dessas que abrem um leve sorriso. E responde no mesmo nível. Se precisar, até desliga o T9 para escrever palavras como perspicaz no telefone.



Mulherzinha ou sem um título melhor

Flertava. Por email. Os auges de ansiedade eram as palavras com duplos significados. As decepções, as dissimulações, o pode-ser-como-pode-não-ser, tudo corria como num flerte normal. Só que por email.

Achava que a modernidade tinha acabado com o romantismo das cartinhas. Essas antigas senhoras eram preciosismos de casais apaixonados à moda antiga ou de amigas de infância que precisassem dar fim às coleções de papel de carta.

– As cartas, hoje em dia, são entregues em mãos, não chegam mais pelo correio, e continuam servindo pra dizer com as palavras da mão, aquilo que as palavras da boca não sabem ou não têm coragem de dizer. Disse, em voz alta, olhando pro espelho do banheiro.

O problema era que gostava de falar como se escreve. Ou de escrever como falava, não sabia bem. “O que eu faço com as cartinhas então? Ai.”, pensou. As questões da escrita eram indizíveis.


quarta-feira, outubro 31, 2007

Mulherzinha Contemporânea VII

Contrariando tabus, a MC não evita os filmes pornográficos – eles fazem parte da profissão. Ela assume, fica famosa e compra sapatos novos pra dar entrevista sobre as imagens escabrosas que vê todos os dias.

quarta-feira, outubro 24, 2007

Mulherzinha contemporânea VI

A MC não gosta de trocadilhos. Mas não contém a risada, se vier de um gatinho.
A blogueira atinge um nível inimaginável de insanidade e faz versinhos ruins, com trocadilhos piores.

O jornalista colunista é como o fisioterapeuta e o ortopedista: ele cuida da coluna.
E como diz o ditado "casa de ferreiro, espeto de pau", se ele não tiver boa postura, a coluna fica mal.

duh.

terça-feira, outubro 23, 2007

MC fica de mau-humor e faz amigos

Estava tão puta, mas tão puta, com o ser humano, que jamais poderia escrever sobre ele de novo. Teve que passar o dia entre os bichos. Foi para o zoológico e conversou com os flamingos, seus novos amigos - gays e delicados.

segunda-feira, outubro 15, 2007

Mulherzinha Contemporânea V

A MC simpatizou com a vaquinha do baixo bebê e com a vaquinha que diz Mu em frente ao cinema. Está apaixonada pelo Capitão Nascimento, mas não, não acha que ele é vítima nem herói.

Em uma mesa de bar no Rio, ou você fala de Tropa de Elite, ou da última vaca, que você ainda não tinha visto. Vaquinha (ops, quer dizer, 01), pede pra sair!

Fomos invadidos pelas vacas. Andar pelo Rio de Janeiro, hoje, é sinônimo de encontrar a bovininha. Mu-mu é a mais nova melhor amiga do transeunte. Ela anda solta por aí, nada os quatro estilos, lê Drummond junto com o Drummond, fala no orelhão e usa salto alto vermelho com a catiguria da Bebel de Camila Pitanga. Conquistou os corações de ricos, pobres, crianças, velhos, carnívoros e vegetarianos.

Da janela da minha casa não se vê nenhuma, graças. Graças, em parte, porque sou mal-humorada e depois de dois dias vendo vacas a cada esquina, queria que elas saíssem andando e fossem pastar em outra freguesia. Não entendi bem o motivo de espalharem vacas pela cidade. Na Argentina, no país onde se come vacas nas três refeições, pode até ter um sentido filosófico e antropofágico maior. Mas aqui? O país dos preços baixos no quilo do frango? Duvido que espalhassem franguinhos estilizados por aí. Porque ninguém gosta dos franguinhos, ninguém ia querer tirar foto com o franguinho. Frangos, galinhas e familiares não despertam o amor de ninguém. Nem a compaixão.

Rá! Descobri tudo! A cow-parade é uma tentativa (subliminar dos ativistas vegetarianos) de fazer com que paremos de comer carne. Eu sabia, eu sabia. Não podia ser obra de um artista que gosta de churrascaria, criar amor pela vaquinha. Eles subverteram a ordem do bifinho. Querem acabar com a Porcão, com o Filé de Ouro, com o nosso Filé a Osvaldo Aranha! Querem o alho só para eles!

Carnívoros cariocas e simpatizantes, uni-vos! Não dêem bola para as vaquinhas! Deixem as mu-mus que estão soltas em paz! Elas não têm um Kiwi dentro delas, se a gente cortar ao meio. Elas podem oferecer prazeres muito melhores que um Kiwi gigante.